AMAR DESDE QUE…

É a festa do ‘amô’. Todo mundo ama todo mundo. Todo mundo expressa o amor a torto e a direito. Mas afinal, o que é mesmo amar? Essa palavra tão fofa que vem sempre carregada de símbolos avermelhados e pulsantes. Verbete que de tão ideário chega a ser hermético. Não há espaço para questionar o que é o cerne do amor. Mas, nessa chuva de declarações de amor o que eu mais vejo por aí é amor desde que.

Eu te amo, desde que você seja linda.

Eu te amo, desde que você não me decepcione.

Eu te amo, desde que você seja sempre a mesma.

Eu te amo, desde que você concorde comigo.

Eu te amo, desde que você esteja sempre disponível.

Eu te amo, desde que você me priorize sempre.

Eu te amo, desde que sua felicidade dependa de mim.

Eu te amo, desde que você seja só minha.

Amar, desde que. Esse amor que de amor se esvaziou. Amor que não tolera é amor falsificado, fajuto, de araque. Amor cheio de condições e cobranças. Amor sob pressão, pisado em ovos. Amor bambo.

Que amor é esse que você expressa tanto por aí?

Quantos desdes quês você impõe para amar?

Quer saber? É este ‘desde que’ o que torna o amor abusivo. Aa relações abusivas. As amizades abusivas. A vida abusiva. Em que a gente abusa e é abusada na mesma medida. Porque ‘desde que’ é não aceitar, não respeitar e impor critérios que ferem o limite do outro. (Se você quer saber mais sobre relacionamentos abusivos, assista o vídeo da maravilhosa Jout Jout aqui.)

Ando fazendo uma análise criteriosa dos amores confessos da minha vida. Passando pente fino à procura dos piolhos ‘desde que’. Não quero amores desde que. Não quero amizades desde que. Não quero vida desde que.

Quero amar e ser amada ‘ainda que’.

Amar, ainda que não seja fácil respeitar os limites do outro.

Amar, ainda que o outro não me ame do jeito que eu gostaria.

Amar, ainda que eu tenha uma vontade imensa de te dominar.

Amar, ainda que eu possa ser feliz sem você.

Amar, ainda que. Isso é amor genuíno, compassivo, respeitoso.

Amor que se movimenta, que se permite ser vulnerável e frutífero.

Amor resiliente, amor construtivo.

Amor que exige de nós mais humanidade, mais humildade, mais generosidade. E definitivamente, esse amor não é romântico.

POR UM MUNDO EM QUE AMEMOS. AINDA QUE.

Mariana Stock é fundadora da Prazerelas. Um espaço que busca empoderar as mulheres pelo caminho do prazer.

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AMAR DESDE QUE…

Sobre o autor
- Mariana no RG, Miri na vida. Miri de miríades. Muitas em uma só. Publicitária de formação. Feminista e vegetariana por filosofia. Sociopsicóloga e quase psicanalista por vocação. Terapeuta tântrica por paixão. Trabalhei por 10 anos no mundo corporativo. Conquistei emprego dos sonhos, carro do ano, casamento perfeito. Tinha tudo, mas não tinha o prazer de ser eu. Me separei, me demiti, me reencontrei. Hoje estudo o prazer feminino e apoio mulheres a se empoderarem pelo caminho do prazer. Prazer das nossas escolhas, do nosso corpo, da nossa alma. Prazer de ser mulher. Prazer, eu sou a Miri.

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