Hashtags feministas: para espalhar e refletir

Volta e meia alguma hashtag com cunho feminista se espalha pelas redes sociais (principalmente pelo Twitter). A mais recente foi #erelacionamentoabusivoquando, em que mulheres relatam situações que configuram um relacionamento abusivo. Afinal, nem sempre é possível ter consciência de que se está em um relacionamento abusivo, ou achamos que o abuso ocorre só quando há violência física.

Alguns exemplos que aparecem com essa hashtag são: “#erelacionamentoabusivoquando te faz acreditar que você é agressiva e difícil de amar, e ele é um santo homem que te atura”; “erelacionamentoabusivoquando ele decide qual roupa você vai usar ou condena a que você escolheu”; “#erelacionamentoabusivoquando você começa a se distanciar de pessoas que gosta para ‘evitar brigas’”.

Qual a importância do uso dessas hashtags? A meu ver, uma delas seria dar evidência a um assunto, para que mais pessoas falem a respeito e reflitam (e, talvez, entendam que estavam sendo babacas). Outra é mostrar que tem mais gente que conhece e entende a situação, fazendo com que a pessoa se identifique e não se sinta sozinha, sem levantar aquelas questões de “será que isso só acontece comigo?”.

Houve algumas outras hashtags feministas que também foram populares durante um certo período (e que ainda aparecem de vez em quando por aí). Tivemos a #PrimeiroAssedio, promovida pelo coletivo feminista Think Olga, depois que uma participante do MasterChef Júnior, de 12 anos, foi alvo de comentários de cunho sexual. A ideia era compartilhar histórias do primeiro assédio sofridas pelas mulheres, na infância e adolescência, para que outras vítimas pudessem se reconhecer como vítimas.

Outra hashtag que tomou as redes sociais no final do ano passado foi #MeuAmigoSecreto, em que mulheres relatavam ações ou pensamentos machistas e preconceituosos de pessoas do seu convívio, e que em sua maioria eram incoerentes com a imagem que tentavam passar.

Temos ainda a #chegadefiufiu, que também começou como uma campanha da Think Olga, contra o assédio sexual em lugares públicos. Realidade bem conhecida das mulheres, que sofrem com assobios, cantadas, comentários de cunho sexual e outros tipos de assédio simplesmente ao porem os pés na rua.

A campanha HeForShe, iniciada pelas Nações Unidas, também virou hashtag. O objetivo é engajar meninos e homens como agentes de mudança para alcançar a igualdade de gênero, por meio de ações contra a desigualdade promovida a meninas e mulheres.

Um movimento que surgiu englobando o mundo dos famosos foi o #AskHerMore. A ideia é chamar a atenção para o sexismo cometido por jornalistas no tapete vermelho. Em vez de limitar-se a saber sobre qual é o estilista do vestido da artista, é preciso perguntar mais – sendo que seu trabalho mais recente ou sua carreira seriam as sugestões mais óbvias. A campanha continua por aí, sendo usada também em outros tipos de eventos, como as Olimpíadas.

Outra iniciativa interessante foi a #readwomen2014. A hashtag começou em 2014, com a escritora Joanna Walsh, para incentivar a leitura de mais autoras mulheres naquele ano. Acabou se transformando numa hashtag mais atemporal, #readwomen. No Brasil, virou uma hashtag própria, #leiamulheres, e também um projeto de leitura e debate, em várias cidades do Brasil.

Esses são alguns exemplos de hashtags feministas, mas existem muito mais, e você inclusive pode criar a sua própria! O importante é levantar diferentes temas, e levar as discussões para mais longe.

Texto e edição da coluna: Andrea Mayumi

Hashtags feministas: para espalhar e refletir

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- Elas por Elas é um coletivo feminista de Curitiba. Somos um espaço de debate e apoio às mulheres. Nossos valores são sororidade, empoderamento, respeito e empatia.

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