Meu cabelo curto se tornou um símbolo do meu empoderamento

Quando eu era adolescente, tinha o cabelo bem comprido, até a altura da cintura. Um belo dia resolvi cortar curto, na altura do queixo. Simplesmente porque achei que combinaria mais comigo, e adorei – tanto que faz mais de 15 anos que uso o cabelo curto.

Mas o que foi uma decisão puramente estética de minha parte, logo mostrou ser uma provação constante da opinião alheia. O primeiro questionamento que surgiu foi de por que eu havia cortado o cabelo, já que ele era tão bonito e “bom”. Porque eu quis, oras.

E então, o comentário clichê: “Mas meninos / homens não gostam de mulheres de cabelo curto”. Claro, eu não poderia cortar o meu cabelo por uma vontade própria, eu tinha que mantê-lo comprido para agradar o sexo oposto. Meu corpo não era visto como pertencente a mim mesma, mas como um objeto para agradar os olhares masculinos. Cabelo curto não combinaria com feminilidade.

Acho que toda mulher que tem cabelo curto já passou por uma situação similar. Da tentativa de tirarem a nossa autonomia diante de algo tão banal quanto um corte de cabelo. E dá-lhe todo tipo de estereótipos e frases prontas que temos que aguentar. Pessoas querendo ligar o comprimento do seu cabelo à sua orientação sexual. Gente que pergunta se seu namorado / marido deixa (!) você usar o cabelo curto. Há ainda quem ache que cabelo curto não combina com sensualidade nem com sexualidade.

Eu uso o cabelo curto porque acho que fica melhor para mim, mas também acho lindo quem tem cabelo comprido. Ainda mais quando são feitos vários tipos de penteados diferentes. Ou seja, não estou dizendo que mulheres de cabelos compridos sejam menos feministas ou empoderadas. O que quero dizer é que no meu caso, eu decidi cortar o cabelo por uma decisão estética, mas manter o cabelo curto acabou se tornando uma afirmação diária de empoderamento. Afinal, é tudo uma questão de não deixar outras pessoas mandarem no seu corpo. Nem que seja em coisas “pequenas”, uma de cada vez.

Texto e edição da coluna: Andrea Mayumi
Foto: Barbara Vanzo

Meu cabelo curto se tornou um símbolo do meu empoderamento

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- Elas por Elas é um coletivo feminista de Curitiba. Somos um espaço de debate e apoio às mulheres. Nossos valores são sororidade, empoderamento, respeito e empatia.

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