Um dia era shopping, no outro passarela: Pátio Batel Fashion Walk 03 cria um espaço de vivências de moda

Nas luzes brilhantes dos corredores cheios de marcas internacionais, vejo dois meninos caminhando em seus vestidos. Um outro, usando trajes tradicionalmente masculinos, atravessa com os lábios as barreiras de gênero. Usa um batom bordô que bem lhe contorna a boca.

Para eles, pouco importa a tendência de veludo molhado ou como combinar uma joia milionária a um moletom. E sim, o espaço para ser.

Nos distraímos tantas vezes com o consumo, achando que moda é roupa… Vi no backstage stylists separando anéis como se montassem uma bomba nuclear. Rostos franzidos, humores agitados que não permitem sorrisos, concentração e ansiedade que deixam o ar pesado.

Foto: Mel Gabardo

Recordo a leveza de me vestir como quem brinca de bonecas. Se algo não combinar com algo, ou aquilo quebrar alguma regra, finjo ser de propósito e sigo saltitando meus sapatos prateados. Ali, entre setenta modelos, um time de camareiras, um diretor de passarela que não economiza nos berros, e seis produtores de moda – três altivos, três simpáticos – não havia cabide para erros, por mais agradáveis que eles sejam.

O estilo é uma maneira muito simples de dizer coisas complicadas.

– Jean Cocteau

Encontrar a diversão na moda não é para todos, mas as duas editoras da Vogue, Bárbara Migliori e Donata Meirelles bem sabem como fazê-lo. Não parecem partilhar da tensão de quem montava as araras, e sim, distribuíam energia por onde passavam. É um certo alívio saber que quem realmente comanda o show de uma das principais publicações nacionais, usa sapatos Prada de plumas com a mesma elegância que cumprimentam por quem passam.

O Pátio Batel Fashion Walk 03 cria um espaço que vai além da exposição de suas lojas. Ou de desfiles com as novidades da estação. Faz de suas instalações belíssimas um ambiente seguro, de acesso à informações e vivências de moda. Até para aqueles que reservam suas compras aos brechós e pequenas marcas autorais – assim como eu.

A proposta de democratizar um saber muitas vezes exclusivo à elite, quebra os paradigmas que são comuns nesse cenário. Mesmo que você não seja um cliente Valentino, pode tirar uma foto aproveitando a luz dessa vitrine. Ainda que nunca pise em um Dolce & Gabbana, pode se inspirar na composição que viu na modelo trotando pelos corredores.

A relevância de um evento de moda está em permitir que eu, que nunca uso maquiagem, me faça de tela criando um rosto desenhado. Está nos encontros de diferentes realidades. Embora separadas pela divisão de uma área VIP, por alguns momentos partilham o mesmo interesse: de se expressar. E se vestem para isso.

O que será usado nessa ou em outras estações fica como plano de fundo. É um meio, em forma de passarela, para ocupar outros caminhos.

Foto: Mel Gabardo

O Pátio Batel Fashion Walk 03

Em sua terceira edição, o Pátio Batel Fashion Walk 03 propõe democratizar o conteúdo de moda. Enchendo seus corredores com setenta modelos, desfilando mais de oitenta marcas, a fim de apresentar as tendências que percorrerão os próximos meses gélidos. A curadoria neste ano ficou por conta da revista Vogue, que trouxe suas principais editoras para bate papos abertos ao público. Com mais espaço que nos anos anteriores, afirmando sua proposta acessível, a cenografia anunciava a chegada do inverno.

Se para o público o evento aconteceu nos dias quatro e cinco de abril, a equipe do mall estava em preparação muitas semanas antes. É difícil contabilizar a quantidade de tempo e esforços são necessários para que algo dessa magnitude aconteça. Seja dos ensaios pela passarela e depois corredores, ou mesmo o planejamento de como tudo isso será registrado. Com uma organização impecável, um grande time de profissionais foi movimentado pela inciativa – algo que para o mercado já é louvável por si só.

Um dia era shopping, no outro passarela: Pátio Batel Fashion Walk 03 cria um espaço de vivências de moda

Sobre o autor
- O nome é Hellen, mas pode chamar de Hell. Jornalista, feminista e contraditória, tenho como combustíveis o café, poesia e boas gargalhadas. Minha relação com a escrita é a mais longa que já tive, mas vivo em flerte com a moda. Sou aficionada por histórias, portanto é fácil me encontrar em um brechó, as buscando nas roupas; em um sebo, perdida nas páginas dos livros; ou observando tudo que há a volta – cuidado para não trombar comigo! Acredito na beleza como um sentimento e na moda como uma expressão cultural.

Comentários no Facebook