Remendando História: as transformações da moda pela agulha

Ei… Me prega um botão?

Encurta essa barra. Abre o decote, descostura. Ajusta a cintura. Diminui a manga. Vestido? Só se for sobre medida. Ficou apertado, faz uma emenda.

Na dança do cerzir, como diziam, ou para os desavisados – piás de prédio – costurar, além da habilidade ágil de uma boa costureira há o instrumento que revolucionou as roupas e nos permite hoje andar fazendo remendas: a agulha.

Se acalme, não precisamos encontra-la em um palheiro, apenas na história.

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Quando o abrigo era de pedra, dentro de uma nem tão aconchegante caverna, era da pele de animais selvagens, antes fontes de alimento, se faziam os primeiros trajes. A necessidade inicial da vestimenta era a temperatura. Muito antes de existir o pudor que condena as saias curtas, existia frio e calor. Daí a iniciativa de se enrolar em peles alheias. Mas enrolar não é melhor medida, precisa de um ajuste.

Uma grande criação tecnológica, passada despercebida pelos nerds desatentos, tornou possível unir um retalho a outro. É na costura feita à mão que pode se juntar duas partes de um tecido, pano, couro, casca, ou outros materiais, utilizando agulha e linha. As primeiras agulhas de costura tinham como matéria prima ossos e chifres de animal, fabricadas há mais de 30 mil anos.

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As primeiras feitas de ferro vêm de Manching, na Alemanha, são do terceiro século antes de Cristo. Na China, arqueólogos encontraram na tumba de um oficial menor da Dinastia Han (202AC- 220DC) um jogo completo de costura com dedal. Seria o exemplar mais antigo desse artifício, um suporte para empurrar agulhas rústicas através de material resistente, como o couro.

Unindo uma coisa à outra, a agulha uniu pequenas partes para formar uma completa. A tecelagem, que é o entrelaçamento de fios formador dos tecidos, surge cinco mil anos atrás. Das grandes revoluções da moda e lançamentos de tendência, nada supera a ferramenta que perfura superfícies.

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Como agulha une tramas, no emendo de palavras vou te contando essas histórias toda semana.

Como está seu acabamento?

Remendando História: as transformações da moda pela agulha

Sobre o autor
- O nome é Hellen, mas pode chamar de Hell. Jornalista, feminista e contraditória, tenho como combustíveis o café, poesia e boas gargalhadas. Minha relação com a escrita é a mais longa que já tive, mas vivo em flerte com a moda. Sou aficionada por histórias, portanto é fácil me encontrar em um brechó, as buscando nas roupas; em um sebo, perdida nas páginas dos livros; ou observando tudo que há a volta – cuidado para não trombar comigo! Acredito na beleza como um sentimento e na moda como uma expressão cultural.

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