Sejamos todos feministas

Chimamanda Ngozi Adichie é uma mulher incrível. Eu já havia lido seu livro Americanah, mas só agora fui ler Sejamos todos feministas, uma adaptação de seu discurso feito no TEDxEuston. Nele, a autora discorre sobre várias questões que podem ser refletidas dentro do tema “feminismo”.

Chimamanda lembra da primeira vez em que foi chamada de feminista, e que aquilo não foi dito na forma de um elogio. Aliás, ser feminista ainda hoje é quase considerado um palavrão. Como ela mesma explica: “Só queria ilustrar como a palavra ‘feminista’ tem um peso negativo: a feminista odeia os homens, odeia sutiã, odeia a cultura africana, acha que as mulheres devem mandar nos homens; ela não se pinta, não se depila, está sempre zangada, não tem senso de humor, não usa desodorante”.

A autora é nigeriana, e em seu país impera uma cultura bastante machista. Do tipo que, se ela vai acompanhada a um restaurante, o garçom cumprimenta o homem e a ignora. Socialmente, isso é visto como “normal”. Mas por quê? Porque é um costume que vem sendo passado há gerações, e quando nos acostumamos com algo, temos a tendência a não questionar. E questionar é preciso.

Por que as meninas são ensinadas a serem “caseiras” e ansiarem pelo casamento, e os meninos não? Por que esperamos que as mulheres sejam mais “delicadas”, mesmo ocupando posições de chefia? Por que espera-se que o “provedor” seja sempre o homem? Por que, numa situação de abuso, acaba-se culpando a mulher?

E por que, afinal, temos tanto medo da palavra “feminista”? Em seu discurso, Chimamanda explica o motivo de usar o termo e não outro qualquer: “Algumas pessoas me perguntam: ‘Por que usar a palavra ‘feminista’? Por que não dizer que você acredita nos direitos humanos ou algo parecido?’ Porque seria desonesto. O feminismo faz, obviamente, parte dos direitos humanos de uma forma geral – mas escolher uma expressão vaga como ‘direitos humanos’ é negar a especificidade e particularidade do problema de gênero. Seria uma maneira de fingir que as mulheres não foram excluídas ao longo dos séculos. Seria negar que a questão de gênero tem como alvo as mulheres. Que o problema não é ser humano, mas especificamente um ser humano do sexo feminino”.

Vamos ter menos medo de nos assumirmos feministas?

Ah, e pra quem quiser assistir ao discurso, aqui tem com legendas em português:

Texto e edição da coluna: Andrea Mayumi

Sejamos todos feministas

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Sobre o autor
- Elas por Elas é um coletivo feminista de Curitiba. Somos um espaço de debate e apoio às mulheres. Nossos valores são sororidade, empoderamento, respeito e empatia.

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