Ei, você! Vamos destabulizar?

Por mais que a imagem te confunda, não estamos falando deste delicioso tabule quando falo em destabulizar. Destabulizar, na minha criação etimológica, vem de remover o tabu.

E você sabe o que é tabu?

O tabu representa uma proibição de origem incerta, que em geral atribui caráter religioso a algo ou alguém. E pra que serve o tabu? Falando de forma bem simplista, (os antropólogos que não me leiam!) o tabu surgiu basicamente para impedir o incesto, e assim, garantir que a sociedade pudesse evoluir no tempo-espaço. Na perspectiva psicanalítica isso muda um pouco, para Freud o tabu surgiu para garantir a constituição do sujeito pelo Complexo de Édipo. Mas isso não vem ao caso neste momento.

Já entendemos que tabu representa algo proibido. Certo? Certo. Afinal, o que eu queremos destabulizar? O prazer. Claro. E por que o prazer virou tabu? Senta que lá vem história. Vamos devagar com o andor:

(1) A gente vive em sociedade.

(2) Pra viver em sociedade é preciso um conjunto de regras.

(3) Regras para podermos conviver.

(4) E para convivermos, precisamos estar sob controle.

(5) Controle para que nós, seres humaninhos, fiquemos comportadinhos nos nossos quadradinhos.

E qual a forma mais rápida e direta para nos manter sob controle? Estabelecendo limites e modelos a serem seguidos. Tudo o que convida a gente a expandir as possibilidades e especialmente a consciência, são rapidamente convertidos em tabu, ou seja, algo proibido.

O prazer do corpo tem um potencial incrível de expandir os nossos limites de consciência. Ouso dizer que está no corpo a nossa maior possibilidade de transcendência. A maioria das religiões tenta te convencer do contrário, de que o corpo é inferior, é profano, é sujo. Por quê? Ora bolas, porque se o seu corpo não é a sua morada sagrada, você precisa buscar isso fora. Fora onde? No messias, na religião, no guru, no outro! E assim, nos mantemos todos cordeiros e controlados por uma sociedade que não está interessada em ter sujeitos livres e libertos.

Nessa máquina de controle social, o prazer do corpo não tem vez. Pelo contrário, quem fala de prazer logo é visto com maus olhos. Confesso que eu tenho enfrentado vários preconceitos por levantar a bandeira do empoderamento do prazer. Gente que se afasta porque tem medo do assunto e de estar associado a ele. Mas o pior de tudo, muita gente que não entende nada e vem com aproximações bizarras, como se eu, de repente, tivesse virado um totem do prazer, disponível, usável e reutilizável por qualquer um. Errou rude! O meu convite é para que você descubra o prazer de ser você, e não ficar refém de alguém para ter prazer. Entendeu?

Basicamente, PRAZER praSER.

Quando a gente aprende o prazer de ter corpo, deixamos de ser tão reféns desse controle social. Na descoberta do prazer, as mulheres têm algo único e especial do gênero: clitóris. Uma verdadeira usina de prazer que vem sendo negligenciada há séculos. Sabe por quê? Porque a única função do clitóris é justamente nos dar prazer. Como a medicina não reconhece o prazer como uma função a altura de ser estudada, a literatura médica simplesmente retirou este capítulo dos livros de anatomia. Prepare-se para uma informação chocante: O CLITÓRIS NÃO É ESTUDADO PELA MEDICINA. Nem mesmo pelos especialistas em ginecologia e obstetrícia. Pasme!

[O filme – Clitóris, prazer proibido – é imprescindível para as mulheres e conta um pouco mais dessa maravilha exclusiva feminina]

Destabulizar o prazer significa se empoderar daquilo que é seu. Seu corpo. Seu clitóris. Seus recursos. Saber exatamente o que te dá prazer do corpo é uma libertação. Não delegar para ninguém aquilo que te pertence. E como destabulizar o prazer? Fale sobre prazer. Amplie o seu repertório sobre prazer. Saia da superfície óbvia de associar prazer a pecado. Toque o seu corpo. Desfrute. Seja o mestre do seu próprio prazer. Destabulize já!

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Ei, você! Vamos destabulizar?

Sobre o autor
- Mariana no RG, Miri na vida. Miri de miríades. Muitas em uma só. Publicitária de formação. Feminista e vegetariana por filosofia. Sociopsicóloga e quase psicanalista por vocação. Terapeuta tântrica por paixão. Trabalhei por 10 anos no mundo corporativo. Conquistei emprego dos sonhos, carro do ano, casamento perfeito. Tinha tudo, mas não tinha o prazer de ser eu. Me separei, me demiti, me reencontrei. Hoje estudo o prazer feminino e apoio mulheres a se empoderarem pelo caminho do prazer. Prazer das nossas escolhas, do nosso corpo, da nossa alma. Prazer de ser mulher. Prazer, eu sou a Miri.

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